Dízimo - Sinal De Maturidade Na Fé

POSTADO EM 02 de AGOSTO de 2018

DÍZIMO: SINAL DE MATURIDADE NA FÉ


Poucas experiências, no tocante à fé, são tão controversas quanto o Dízimo! Ainda que este seja opção pastoral da Igreja do Brasil, continua um grande desconhecido de muitos de nossos fiéis católicos. Mas afinal, o que é o Dízimo?

De acordo com o Documento 106 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), lançado em 2016, o Dízimo é “uma contribuição sistemática e periódica dos fieis, por meio da qual cada comunidade assume corresponsavelmente sua sustentação e a da Igreja. Ele pressupõe pessoas evangelizadas e comprometidas com a evangelização” (n. 6).

De início, entendemos que o Dízimo se insere na dinâmica da reciprocidade: é contribuição! Ao compreender a importância de Deus e da Igreja para nós, nossas famílias e toda a sociedade, queremos torná-los mais presentes em nosso mundo. E não podendo fazer isso sozinhos, contribuímos para uma obra maior: a obra de Deus. É, portanto, uma manifestação autêntica e espontânea da nossa fé em Deus e da participação na vida da Igreja e na sua missão. Mais do que o cumprimento de uma lei, é resposta de uma consciência iluminada pela fé.

Mas os bispos nos dizem mais: é sistemática e periódica, ou seja, é estável. Sabemos, pela própria experiência em nossos lares, que manter uma família, é algo que nos compromete. Não se pode assumir uma responsabilidade pela família apenas por alguns instantes. Temos visto os efeitos negativos que a atual cultura do descartável tem imposto a nós. Com a família de Deus, que é a Igreja, não pode ser diferente! O Dízimo é, deste modo, um compromisso assumido permanentemente (todo mês), diferenciando-se assim das coletas que ofertamos quando podemos, sem compromisso.

Essa contribuição destina-se à sustentação da própria comunidade e da Igreja. Ainda hoje, há quem acredite que a Igreja seja mantida pelo governo ou ainda pelo papa! O católico que vive sua fé na comunidade sabe que, pelo contrário, para que o Evangelho continue sendo anunciado no seu bairro, em sua paróquia, é preciso o empenho de toda a comunidade – também no tocante às finanças! São todos os fieis os responsáveis para que a comunidade disponha do necessário para o culto divino e pela evangelização! Essa contribuição ainda ajuda a Igreja a universalmente cumprir sua missão! Pensemos nas necessidades da diocese, da Igreja presente em toda a terra, dos territórios de missão... enfim: somos nós, corpo de Cristo, corresponsáveis para que Jesus continue sendo anunciado a nós e a muitos outros!

Tudo isto, obviamente, pressupõe pessoas evangelizadas e comprometidas com a evangelização! Quantos de nós já não ouvimos verdadeiras mentiras acerca do dízimo? Que o dízimo vai para o padre... que o dízimo vai para o papa... que a Igreja é rica... Pensamentos estes fruto de pessoas que ainda não tiveram a verdadeira experiência de Jesus. Quem participa, quem tem consciência de ser membro vivo da Igreja, ou seja, quem já foi verdadeiramente evangelizado, sabe que ainda há muito a fazer para que o Evangelho chegue aos confins da terra, como é desejo de Nosso Senhor (cf. Mt 28,19-20).

Assim, o Dízimo é sinal de maturidade na fé! É resposta de amor. Um cristão que não fez a experiência de Jesus dificilmente compreenderá sua importância! Só um coração que se reconhece amado pelo Senhor pode agradecê-lo. Cabe a nós, discípulos de Jesus, motivar pelo nosso exemplo, a tantos irmãos para que cultivem e aprofundem sua relação com Deus, de quem provém tudo o que temos e somos, crescendo na gratidão ao Senhor e na corresponsabilidade com os irmãos.


Pe. Danilo Teixeira da Silva

é pároco da Paróquia São Benedito, em Bragança Paulista

e assessor diocesano da Pastoral do Dízimo

© Copyright 2018. Desenvolvido por Cúria Online do Brasil