Seminário Maior Imaculada Conceição há 20 anos formando discípulos-missionários

POSTADO EM 20 de Março de 2018

É tempo de louvar e agradecer a Deus por 20 anos de construção do Seminário Maior Imaculada Conceição. Agradecemos ao Senhor por esta iniciativa de nosso querido falecido bispo Dom Bruno Gamberini. Fazer memória é recordar a compaixão do Senhor por nós. E neste sentido como é maravilhoso poder render ação de graças e louvá-lo por todos esses anos. Seminário é um belo canteiro onde são plantadas muitas sementes. Cada seminarista é uma semente e como toda semente algumas podem se perder pelo caminho, outras caem nas pedras, outras são sufocadas pelos espinhos e outras caem em terra boa e dão fruto, muitos frutos.

                O processo formativo pode ser comparado com uma pedra bruta de muito valor que o ourives tem em suas mãos. O ourives é o próprio Senhor que vai lapidando a pedra até ela ficar com o formato de uma jóia belíssima. Cada seminarista é uma pedra bruta que vai sendo lapidada para tornar-se um belíssimo diamante.

                O seminário não é um quartel embora tenha disciplina e sim uma casa de formação. Um lugar onde se procura viver em família. A amizade é um caminho próprio para viver a fé cristã. Cada dia por meio da partilha da vida que se demonstra como partilha das responsabilidades vai se aprendendo um ritmo de vida mais comunitário e menos individualista.

                Pastorear é uma formação que só pode compreender quem também se sabe ovelha. Ser pastor com cheiro de ovelhas tendo como inspiração e modelo o próprio Jesus que é o Bom Pastor. Através da proximidade com as pessoas o seminarista vai aprendendo a amar como Jesus ama. Ser humano cheio de cuidado, compassivo e misericordioso é uma mística, uma maneira de ser pastor que é capaz de dar a vida por amor ao rebanho.

Numa perspectiva maior como compreendido pelo Concílio Vaticano II os seminaristas são formados para serem sinais coletivos do Bom Pastor em comunhão com o bispo diocesano e junto do presbitério assumindo responsabilidades pastorais nas mais diversas instâncias de serviço diocesano e onde a Igreja necessitar.

                Vocacionado para a comunhão é o discernimento que se faz necessário ser feito durante o tempo formativo. O seminarista precisa compreender que amanhã sendo padre, ele com os outros presbíteros e diáconos devem estar em comunhão com o bispo e ser promotor da comunhão e assim colaborar para que cada vez mais a Igreja sinalize essa comunhão que é reflexo da comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

São preparados para os desafios que se colocam pela realidade, apreendendo que ao invés de temê-la e ou mesmo terem uma postura de condenação do mundo, ir ao encontro e dialogar amorosamente como Igreja que é sinal sacramental de Salvação. Através dos estágios pastorais nas diversas comunidades paroquiais da Diocese apreendem a experiência da escuta e da atenção às pessoas.

São formados para compreenderem que o discípulo é missionário numa Igreja em saída para anunciar Jesus Cristo e o seu Reino. O melhor modo de anunciá-lo é através do testemunho. Ser testemunhas da misericórdia colaborando com a construção do Reino através do empenho em tornar a sociedade mais justa e solidária a partir da opção preferencial pelos pobres.

A formação considera o cultivo de uma cultura da paz e da tolerância que os torne mais humanos, solidários, misericordiosos e compassivos. São preparados para dialogar com essa sociedade plural através de uma espiritualidade ecumênica e com o espírito de diálogo inter-religioso. Descobrir que podemos a partir do reconhecimento de que somos todos irmãos e irmãs uns dos outros, filhos e filhas do mesmo Pai, oferecer ao mundo muitos frutos de justiça e paz.

Através da formação acadêmica filosófica e teológica aprofundam a reflexão acerca do ser humano e da Revelação de Deus na História. Inseridos dentro do ambiente universitário os seminaristas são chamados a se inserirem na vida da universidade como espaço privilegiado para a pastoral. E ainda são motivados a práticas de iniciação científica como também a participação junto ao movimento estudantil.

São formados em canto e música litúrgico-pastoral. Além de conhecerem o universo da música e aprenderem técnicas vocais conhecem cantos próprios para cada tempo litúrgico e assim podem colaborar para que as comunidades cantem a Liturgia.

A formação é ecológica, isto é, numa perspectiva da ecologia integral. Compreende o ser humano a partir de sua integralidade. Assim consideramos a maravilha e a complexidade que somos. São chamados a uma “consciência dolorosa” que não os torne insensíveis e indiferentes a dor da terra e a dor dos pobres.

Com alegria observo a importância de uma cultura de alimentação saudável que empenhamos em realizar no Seminário como também a prática de exercícios físicos.

A dimensão da espiritualidade perpassa toda formação procurando integrá-la junto às outras dimensões. A vida de oração pessoal e comunitária são espaços próprios de encontros com o Senhor. E acima de tudo a Eucaristia como ápice da vida cristã torna-se o momento vivencial da experiência do mistério pascal na vida do seminarista. Assim através do amor a Eucaristia o seminarista se deixa ser amado pelo Senhor e a partir do encontro com Ele integra sua vida.

Quando Jesus se torna o centro da nossa vida então a integralidade verdadeiramente acontece. Só é possível a vivência da castidade quando compreendida como experiência profunda de amor com o Senhor. Ser casto é ser fiel e buscar crescer na capacidade de amar como Jesus amou. A intimidade com o Senhor na oração e a amizade sincera com alguns poucos e bons amigos e amigas pode ajudar nesta busca. Os seminaristas são convidados a crescerem ao modo de vida semelhante ao de Jesus.

Todo o estilo de vida do seminarista deve ir se assemelhando ao de Jesus. Na formação presbiteral o que mais prezamos é o “caráter” que também pode ser entendido como ser “ético”, isto é, uma qualidade e ou virtude inerente a pessoa. A virtude do seminarista deve ser a transparência, isto é, alguém em que possamos enxergar nele o desejo sincero de buscar o Bem e fazer o bem.

Na perspectiva que amanhã poderão estar à frente como guias e animadores das comunidades são formados para administrar com transparência e através da participação dos leigos e das leigas. Seguindo a orientação da própria CNBB os seminaristas são motivados a compreenderem a importância de constituírem conselhos econômicos e pastorais com a presença dos leigos e leigas para que possam ter outra configuração de autoridade que seja mais de uma liderança servidora do que centralizadora.

São ainda convidados a terem uma vida que se demonstre num estilo sóbrio. O cuidado com a administração da comunidade é fundamental e sobretudo numa perspectiva que tenham uma consciência de trabalharem com orçamentos participativos e também em dia com as leis trabalhistas no que diz respeito aos funcionários. O cumprimento das exigências legais como também a importância de refletir acerca de melhoria das condições salariais dos funcionários tornam-se expressão de um estilo de vida presbiteral “misericordioso”.

Haveria muito mais o que dizer sobre a formação que se realiza no Seminário e essa pequena ilustração da importância que ele tem demonstra como vale apena acreditar nos jovens que se sentem chamados a serem padres. Só tenho a agradecer por estes 20 anos e também fazer parte desta história.

Quantos padres foram formados nesta casa? Hoje eles estão aí pelas comunidades paroquiais da nossa Diocese procurando serem esses pastores com cheiro de ovelhas. Rezemos por nossos padres, rezemos pelos nossos seminaristas, rezemos pelos nossos vocacionados. Que a Imaculada Conceição, Senhora do Seminário e Padroeira da Diocese de Bragança Paulista interceda, ampare, cuide de cada um de seus filhos.

Agradeço a Dom Sérgio Aparecido Colombo pela sua presença acompanhando de perto o Seminário. Agradeço a equipe de formadores como também as funcionárias e a cada seminarista do Seminário Maior.

Celebremos, festejemos, louvemos ao Senhor. Adoremos a Ele, pois Ele nos acompanha formando. Obrigado Senhor por dar a sua Igreja particular de Bragança Paulista tantos presbíteros. Continua Senhor a chamar tantos jovens para que possam ser pastores segundo o seu coração.

Que possamos saborear este carinho de Jesus nas palavras de São João Maria Vianney: “o sacerdote é o amor do Coração de Jesus”. Com certeza o que ele disse do sacerdote vale para o seminarista, pois em seu coração o desejo de ser sacerdote pulsa.

Que o Seminário ajude o seminarista a ser cada vez mais apaixonado por Jesus e pelo seu Reino e assim também apaixonado pelo Corpo Místico de Cristo que é a Igreja o Povo de Deus. Só quem é apaixonado sabe viver. Que o Espírito Santo inflame nossos seminaristas de amor e os faça ser um fogo que acende outros fogos.

Parabéns a todos e todas que colaboraram e colaboram com a formação dos nossos presbíteros há 20 anos.

Que a Imaculada Conceição, Senhora do Seminário, interceda por nós. Amém

Deus abençoe nossos seminaristas!

Deus vos abençoe!

Pe. José Antonio Boareto

Reitor

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