180 DIAS, 50 DIAS... VALOR DO TEMPO!

POSTADO EM 20 de Maio de 2016


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O Senado da República afastou a presidente por entender que ela cometeu crime de responsabilidade. Por 180 dias governará o vice-presidente. A presidente tem prazo determinado para apresentar sua defesa. Se esta for aceita, reassume. O governo que a sucede tem prazo para mostrar que pode ser melhor. Tem que acertar, em tempo curto, nas medidas que apresentou à população. Já recebe críticas por não ter dado espaço no primeiro escalão à presença feminina e à presença de negros. O país tem pressa. O povo tem pressa. Corre-se o perigo de achar algum salvador da Pátria que, sozinho, dê um jeito naquilo que se vê desarranjado. Os  dias dos prazos voam. Parece que se deva descobrir o que está por detrás dos dias aprazados. Quero me valer de um prazo celebrado recentemente: Pentecostes! Para os cristãos, a vinda do Espírito Santo. Popularizada, essa vinda, nas diversas festas do Divino e sua bandeira. Que sentido tem Pentecostes? Essa palavra vem para lembrar os cinquenta dias, após a Páscoa judaica, da chegada ao monte Sinai. Ali chegando, Moises recebeu as tábuas da Lei. Para o povo judeu a grande dádiva do único Deus. Um sinal da sua Aliança. Deus fez com ele um pacto: seria o seu povo! Páscoa e Pentecostes são sinais da predileção de Deus. Por que nos Evangelhos, Atos dos Apóstolos e outros escritos do Novo Testamento se fala de Pentecostes? Os escritores sagrados querem se referir a uma nova lei que é inscrita nos corações, não mais em pedras. Jesus prometera que na volta ao Pai enviaria o seu Espírito. Com essa presença não mais vigoraria uma lei externa. Passaria a valer uma lei interior que não precisaria mais de preceitos. Porque quem se deixa invadir pelo Espírito, pela vida de Deus, amaria como Deus ama. A simbologia dos 50 dias quer relembrar e celebrar à nova linguagem que o Espírito Santo traz aos que abrem seu coração a ele. O imaginário que São Lucas propõe correlaciona a manifestação no Sinai com o que aconteceu no cenáculo: nuvem, trovão, fortes ruídos, línguas de fogo... Todo um recurso para que as pessoas de sua época pudessem entender o valor daquilo que acontecera no quinquagésimo dia após a ressurreição de Jesus. Especialmente uma língua que todos entendiam. Que linguagem é essa que não tem fronteiras? Fácil de responder: a linguagem do amor. Uma língua que não precisa de palavras. É compreensível imediatamente. Do fato religioso passo ao fato político. Que língua se deverá falar e mover atitudes na situação que estamos vivendo? A do poder de grupos? A linguagem do personalismo? A linguagem de determinada ideologia? A linguagem da economia? A linguagem do revanchismo? Parece que se não se desenvolver a linguagem do amor ao nosso povo não teremos saída. Essa linguagem passa, necessariamente, pela busca do Bem Comum. Essa linguagem deve promover o debate embasado no bem de todos para encontrar os caminhos que levem a superar a problemática pela qual a presidente foi afastada do seu cargo. A língua do Bem Comum deve ouvir a defesa, julga-la com equidade. As visões diferentes deverão sopesar toda a argumentação. E com o norte dos interesses maiores chegar à decisão definitiva. Ao lado de tudo que envolve os representantes do povo está o papel de todo cidadão. Não poderá prevalecer o interesse individualista movido por algum tipo de benefício que se possa receber. Se assim for continuaremos na mesma. A ação cidadã também deverá se mover na direção daquilo que é bom para todos. E somente a abertura à fraternidade fortalecerá a decisão de assumir algum sacrifício em vista da superação de qualquer sentimento de desesperança. Para quem tem fé a abertura ao Espírito de Deus firmará o compromisso pelo bem de todos. Para quem não tenha visão religiosa, mas vê no outro um valor absoluto, a decisão de caminhar solidariamente para a superação do desequilíbrio social. Para todos os 180 ou 50 ou mais ou menos dias serão tempos de reflexão e de fazer germinar possibilidades de vida e não de destruição. Que aprendamos as lições que o tempo nos der.

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