A VIDA RELIGIOSA

POSTADO EM 17 de AGOSTO de 2015

A VIDA RELIGIOSA

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No mês de agosto a comunidade católica é convidada a refletir, de modo mais próximo, sobre o tema da vocação. O ponto de partida é a vocação universal, isto é, o chamado de Deus para todos os seres humanos para viverem a filiação divina. Conforme o início da carta de São Paulo aos efésios (1,3-15) desde sempre Deus nos predestinou a sermos seus filhos no Filho. Mais ainda somos chamados a viver aquilo que Deus é: a santidade! Ser santos como Deus é santo (1 Pedro, 1,16)! Dentro desse grande chamado nós vamos escolhendo os caminhos para realiza -lo. No primeiro final de semana olhamos a vocação ao ministério ordenado na Igreja. Olhamos para os homens que acolhem o chamado a se consagrar pelo sacramento da Ordem. No segundo final de semana pensamos sobre a realidade da Família à luz da celebração dos Dia dos Pais. No terceiro final de semana somos chamados a meditar sobre homens e mulheres que assumem vocação nas congregações, ordens ou institutos da chamada vida religiosa. São comunidades que têm vida em comum, sob um determinado carisma: dedicar-se à educação, aos hospitais, às casas de cuidado com crianças ou idosos, a trabalho missionário no próprio país ou em outros países. Sempre disponíveis em partir e assumir desafios. Sem dúvida, é mais um sinal luminoso dos dons que Deus faz surgir, com a adesão humana, da sua bondade, do seu amor. Há anos, para exemplificar decisões dessa vocação, eu recordava a vida de duas freiras. Uma assassinada em defesa de posseiros, outra dedicada à educação escolar. Uma procurando organizar o povo pobre para a defesa de seus direitos, a consciência dos seus deveres, para o aprendizado da luta pelo bem comum e pela superação do individualismo. A outra, pelos trabalhos nos colégios e atividades pastorais, procurando auxiliar na formação das crianças e jovens. O que levou essas duas mulheres a renunciar os ideais da formação de uma família? Por que renunciaram viver o amor com um companheiro de vida e a ter os seus filhos? Sabe-se que muita gente assume vida sem constituir família por muitas razões. No caso das duas freiras é o chamado-resposta a alargar a capacidade de amar. Abrir a sua vida para famílias muito maiores daquelas que poderiam constituir. Amar mais gente e de forma muito mais profunda do que amariam àqueles que fariam parte de família de sangue. Uma vocação especial. Marcada pela promessa evangélica: “E todo aquele que tiver deixado casas ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terras, por causa do meu nome, receberá muito mais e herdará a vida eterna” (Mateus 19, 29). Para muitos a vocação à vida religiosa (fazer parte de uma congregação, ordem, instituto) é algo não compreensível. Não é difícil encontrar gente que pensa que as freiras ou freis são pessoas frustradas: não conseguiram arrumar marido ou esposa e aí... Penso que a razão dessa vocação está escondida naquela que é a descoberta do Amor Maior: Jesus Cristo. Este Amor Encarnado que na doação de sua vida por amor a nós vai até as últimas consequências. Pode-se dizer que boa parte de irmãs e irmãos das congregações (freis ou freiras) são como a brasa no fogão de lenha: escondidas na rotina do quotidiano, quase imperceptíveis aos olhos. Todavia presentes a não permitir que se apague o fogo da esperança e da vida. Às vezes ajudando a formar uma chama forte. Outras vezes sustentando o calor para que a rotina e as dificuldades da missão de cada dia não deixem de ser marcadas pelo amor que não desanima nunca. Neste nosso mundo marcado pelo consumismo, individualismo, busca de prazeres a todo custo, há homens e mulheres que assumem, como sinal, essa especialíssima e preciosa vocação: dedicação de sua vida às pessoas por amor a Deus. Consagração de sua vida a Deus, vivendo despojadamente, para servir aos irmãos onde quer que seja necessário.  Há um tesouro precioso nessa vocação que parece estar em baixa nos nossos dias. Ela é iluminada pela decisão de, por amor, buscar viver fraternidade radical para ser sinal do amor infinito que em Jesus nós podemos saber: despojar-se de si mesmo para assumir a missão de mostrar o caminho para a Vida. Que não nos faltem nunca homens e mulheres que nos ajudem a ter, bem diante dos olhos, o imenso amor de Deus por nós!

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