O “espírito de Assis”

POSTADO EM 03 de Fevereiro de 2020


O “espírito de Assis” continua a se espalhar por toda parte


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Quem vai a cidade de Assis na Itália, ao adentrar a Basílica Papal de Santa Maria degli Angeli depara-se com esse monumento, uma placa comemorativa por ocasião do primeiro encontro histórico de diálogo inter-religioso promovido por São João Paulo II no dia 27 de outubro de 1986.

Este encontro trouxe uma nova esperança de que seria possível a possibilidade duma nova convivência harmoniosa entre os seres humanos. O “espírito de Assis” expressão afirmada por São João Paulo II se espalhou por toda parte conservando a força viva do momento em que surgiu.

Ali os líderes de todas as religiões conduzidas por São João Paulo II rezaram juntos pela primeira vez na história pedindo pela vida fraterna no mundo. Lendo a respeito de testemunhos de pessoas que participaram do evento afirmam que guardam a memória do que saborearam em seu coração até hoje.

São João Paulo II apertando com força Dalai Lama para aquecê-lo do frio que fazia em Assis, ou ainda, jovens judeus que entregaram ramos de oliveira primeiramente aos muçulmanos. Este evento foi organizado pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos e do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso. Afirmou São João Paulo II que este momento levava “a estar juntos para rezar, mas não para rezar juntos”.

Esse momento foi sinal daquela que deve ser a tarefa da Igreja no mundo que vive em permanente pluralismo religioso: professar a unidade do mistério da salvação em Jesus Cristo. Por isso afirmou no encontro com os cardeais no dia 22 de dezembro do mesmo ano de 1986: “As diferenças são um elemento menos importante em relação à unidade que, ao contrário, é radical, fundamental e determinante”. Reconhecer e valorizar a experiência religiosa de cada ser humano que busca a Deus em seu coração. Por isso disse: “Toda oração autêntica é inspirada pelo Espírito Santo, que está misteriosamente presente no coração de cada ser humano”.

O “espírito de Assis” continua a se espalhar por toda parte. Em cada gesto que no cotidiano realizamos de respeito à experiência religiosa do outro. Cada atitude de estima para com que crê diferente de nós. Em cada testemunho que damos do nosso amor a Cristo que se expressa no amor ao próximo como a amamos a nós mesmos.

Somos chamados a manifestar ao mundo a salvação que Jesus Cristo oferece a toda a humanidade. Manifestar ao mundo a bondade de Deus que em Jesus Cristo revelou a misericórdia do Pai que nos chama à vocação de viver em comunhão com Ele e em fraternidade entre nós pois somos verdadeiramente irmãos e irmãs uns dos outros, filhos e filhas de Deus.

Espalhemos o “espirito de Assis” em toda parte. Empenhemos em promover a paz cujo fruto é a justiça. Nosso tempo clama por cristãos e cristãs que sejam apaixonados por Cristo e na força do seu Espírito Ressuscitado que vive em nós tornem-se “un fuego que enciende otros fuegos” capazes de “cultivarem os mesmos sentimentos que haviam em Jesus” e assim moverem-se de compaixão pelas pessoas, de modo particular, não sendo indiferente ao sofrimento que experimentam os irmãos e irmãs de outras religiões que sofrem com a intolerância religiosa além de estarem sendo violados em seu direito humano fundamental da liberdade religiosa.


Pe. José Antonio Boareto

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