Sem perspectiva de futuro e o esforço por esperançar a juventude.

POSTADO EM 06 de AGOSTO de 2018

Por. Pe. José Antônio Boareto

            Cada vez mais a psicologia tem reconhecido que as redes sociais são um fator para o quadro de depressão que se observa entre adolescentes e jovens atualmente. A depressão também poderia ser chamada de melancolia. Hipócrates (460 a.C – 370 a.C)  compreendeu a melancolia como “um estado de medo e desânimo duradouros”. Para ele a doença era provocada por excesso de bile no organismo.

            Várias tentativas de se buscar uma definição sobre a depressão foram feitas e uma das acepções mais aceitas é a do psicólogo norte-americano Rollo May em seu livro Love and Will (Amor e Vontade): “A depressão é a incapacidade de construir um futuro”.

            A Sociedade Americana de Pediatria reconhece que meninos e meninas andam muito mais deprimidos agora na era da internet do que no passado. A incidência de depressão entre homens e mulheres de 12 a 25 anos foi de 40% em cinco anos enquanto houve diminuição entre outras faixas etárias constata estudo da Universidade de Columbia nos Estados Unidos.

            No mundo conectado das redes sociais os adolescentes e jovens nunca estiveram tão sós. A respeito da solidão que é diferente de fazer silêncio, propõe George Steiner que precisamos recuperar a arte da leitura ainda que a duras penas, pois se não conseguirmos, um enorme vazio passará a ocupar nossas vidas.

            Para ele ler implica fazer silêncio e atualmente diante do fenômeno da redução de nossa capacidade de atenção e concentração que resultam do simples fato de sermos interrompidos a qualquer instante pelo toque do telefone, e nós acabamos por atender o telefone, a não ser que heroicamente decidamos o contrário.

            É preciso fazer silêncio, retomar a arte da leitura e “aprender de cor, transcrever fielmente, ler com toda a atenção é fazer silêncio dentro do silêncio”. Na era da internet muito se lê, vivemos mergulhados em um mundo de informações, mas não estamos lendo a partir do silêncio necessário para ler com toda a atenção e que nos faça capaz de ler de cor, isto é, de coração.

            Ler aqui também não significa somente ler um livro, mas ler o mundo, ler a realidade e ou mesmo ler a vida e porque não ler a Palavra. Aprender de cor na perspectiva de Rubem Alves é aprender com o coração e para ele isto significava a partir da dimensão do prazer, a erótica da educação.

            Os apaixonados sabem viver e morrer ensina Miguel de Cervantes em sua obra-prima Dom Quixote de La Mancha. Coloca-se um desafio para nós que é o despertar os adolescentes e os jovens para a paixão. Numa canção do Pe. Zezinho, scj intitulada Coragem de sonhar ele diz que há muitos jovens vazios porque há poucos adultos transbordando amor. É preciso estabelecer as relações partindo do positivo nas relações e sabendo acolher sua cultura em suas mais diversas expressões.

            De fato todos nós precisamos redescobrir a arte da leitura para olhar a vida a partir de outros ângulos e prismas. O risco que se corre hoje é o do ler de modo reduzido a vida e a realidade e ou mesmo não considerar outros aspectos que são importantes para uma integração maior.

            Precisamos articular a vida a partir da paixão (da libido para dizer numa perspectiva freudiana), isto é, do impulso vital, da energia, do amor (Eros) e depois então organizar-se. Somos desafiados a redescobrir a paixão como dimensão humana e mesmo cristã para que a partir dessa energia possamos integrar as outras dimensões.

            Isto significa, na perspectiva cristã, ajudar nossos adolescentes e jovens a se apaixonarem por Jesus e seu projeto. Serem despertados para terem grandes ideais e sonhos de quererem ver um mundo mais justo e fraterno.

            A paixão move o mundo. Os jovens e cada um de nós precisamos ser seduzidos novamente por Jesus e seu projeto. Precisamos ser apaixonados pelo Reino, e assim, desejosos de ver o Reino de Deus acontecer aqui já.  Somente uma consciência dolorosa que seja capaz de empatia junto ao sofrimento do outro é capaz de abraçar grandes ideais.

            Aprendamos nesse diálogo com a juventude a ler a realidade à luz da Palavra. Busquemos cada vez mais tempo para cultivar a arte da leitura e assim não deixemos que o vazio tome conta de nós e nem de nossos jovens. Nossa esperança tem um nome é Jesus Cristo, sem medo, levemos o amor de Deus a nossa juventude. Amemos nossos jovens procurando ajudá-los na formulação de seus projetos de vida.  O futuro tem nome e chama-se juventude que vive a partir de grandes ideais. Esforcemo-nos para esperançar nossos jovens.

            Escutemos o apelo que vem do querido Papa Francisco e rezemos para que seja ouvido pelos nossos queridos adolescentes e jovens:

“Apostai em ideais grandes, nos ideais que ampliam o coração, nos ideais de serviço que fecundarão os vossos talentos. A vida não nos é concedida para que a conservemos ciosamente para nós mesmos, mas que a doemos. Caros jovens, tende uma alma grande! Não tenhais medo de sonhar coisas grandes!”.(Papa Francisco, Audiência Geral, 24.04.13)

Pe. José Antonio Boareto

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