Cinco imperativos para a celebração Luterana e Católica dos 500 anos da Reforma.

POSTADO EM 31 de Outubro de 2017

Por Pe. José Antonio Boareto

Cinco imperativos para a celebração Luterana e Católica dos 500 anos da Reforma.

Hoje celebramos os 500 anos da Reforma Luterana. Católicos e Luteranos têm consciência que suas comunidades vivem sua fé pertencendo ao único Corpo de Cristo. As lutas do século XVI estão superadas. As razões de condenar a fé um do outro estão ultrapassadas. (cf. p. 90)

O Relatório da Comissão Luterana-Católico-Romana para a Unidade intitulado "Do conflito à comunhão". Comemoração conjunta Católico-Luterana da Reforma em 2017 identificam cinco imperativos para comemorarmos juntos. (cf. p.90)

Católicos e Luteranos são convidados a pensar a partir da perspectiva da unidade do Corpo de Cristo e buscar o que possa trazer a essa unidade à expressão e servir à comunidade do Corpo de Cristo. Reconhecem no Batismo que um e outro são cristãos. Essa orientação requer conversão do coração. (cf. p. 90).

Primeiro imperativo: Mesmo que as diferenças sejam mais facilmente visíveis e experenciadas, a fim de reforçar o que existe de comum, católicos e luteranos devem sempre partir da perspectiva da unidade e não da perspectiva da divisão. (cf. p. 90)

Os conflitos originados historicamente entre um e outro só podem ser resolvido ou menos encaminhado com esforços comuns para aprofundar e reforçar a comunhão. (cf. p. 90)

Segundo imperativo: Luteranos e católicos precisam deixar-se transformar continuamente pelo encontro com o outro e pelo testemunho mútuo da fé. (Cf. p. 90)

Através do diálogo católicos e luteranos, aprenderam muito, e chegaram a apreciar o fato de que a comunhão entre eles pode ter diferentes formas e graus. Demonstrar gratidão por tudo o que alcançaram, amor uns pelos outros em tempos de discordância e conflito, fé no Espírito Santo que gera a Unidade. (Cf. p. 90-91).

Terceiro imperativo: Católicos e Luteranos devem comprometer-se outra vez na busca da unidade visível, para compreenderem juntos o que isso significa em termos concretos, e buscar sempre de novo esse objetivo. (cf. p. 91)

Católicos e luteranos devem manifestar aos seus membros a compreensão do Evangelho e da fé cristã bem como a Tradição da Igreja evitando retomar a tradição para cair nas oposições confessionais. (cf. p. 91)

Quarto imperativo: Luteranos e católicos busquem juntos redescobrir a força do Evangelho de Jesus Cristo para o nosso tempo. (cf. p. 91)

O engajamento ecumênico para a unidade da Igreja não sirva apenas à Igreja mas ao mundo para que creia. A tarefa missionária do ecumenismo tornar-se-a tanto maior quanto mais nossa sociedade se tornar pluralista em termos religiosos. Isto requer mudança de pensamento e metanoia (conversão). (cf. p. 91).

Quinto imperativo: Católicos e luteranos em sua pregação e serviço ao mundo, devem testemunhar juntos a graça de Deus. (cf. p. 91).

O caminho do ecumenismo possibilita a luteranos e católicos apreciarem juntos as visões de Lutero sobre sua experiência espiritual no Evangelho da justiça de Deus que é misericórdia, o qual meditava dia e noite e que assim compreendeu a partir da meditação do texto de Rm 1,17 e lendo a obra "O Espírito e a letra" de Santo Agostinho. (cf. p. 91-92).

A memória dos inícios da Reforma será adequada corretamente, se luteranos e católicos ouvirem juntos o Evangelho de Jesus Cristo e se deixarem chamar outra vez para a comunidade com o Senhor. Então estarão unidos na missão comum que a Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação descreve: "Luteranos e Católicos compartilham o objetivo comum de confessar em tudo a Cristo, ao qual unicamente importa confiar, acima de todas as coisas, como único mediador (cf. 1 Tm 2, 5s) pelo qual Deus, no Espírito Santo, dá a si mesmo e derrama seus dons renovadores" (DCDJ, n. 18).

Que a comemoração dos 500 anos da Reforma nos coloque no caminho do ecumenismo desejado pelo Espírito Santo que gera a unidade no corpo de Cristo. Que possamos católicos e luteranos estar abertos a permanente conversão do coração.

Que possamos nos empenhar em querer resolver os conflitos históricos esforçando em buscar soluções comuns. Precisamos das experiências, do encorajamento e da crítica de um e do outro.

Que o amor de Deus e nossa fé comum em Jesus nos ofereça possibilidades de encontro e diálogo e de oração em comum pedindo ao Espírito Santo que gere a unidade entre nós.

Com coragem e ousadia não deixemos ser tentados a olhar para o passado e perder o caminho que o Espírito abriu historicamente pois passamos do conflito à comunhão.

Juntos testemunhemos a força do Evangelho no mundo. Levemos ao mundo o amor de Deus. Testemunhemos que Ele é misericordioso, não é indiferente a dor da terra e nem dos pobres. Ele é amor, perdão e compaixão.

Sejamos sinal do amor de Cristo buscando pensar, refletir, sentir e amar na perspectiva da unidade e da comunhão e não da divisão e separação.

Que o Espírito Santo nos conduza nesse caminho de Unidade. Que o Senhor dê a nós católicos e luteranos a graça de viver ecumenicamente no mundo.

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Pe. José Antonio Boareto

Dimensão para o Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso da Diocese de Bragança Paulista

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