PRÁ QUE SERVE JESUS CRISTO?

POSTADO EM 02 de Outubro de 2015


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No documento “A alegria do Evangelho”, do Papa Francisco, a ideia fundamental que é a razão da nossa crença, da nossa fé, é o encontro pessoal com Jesus Cristo. Nele, Jesus, se manifesta a beleza do projeto de Deus de nos fazer, a todos, seus filhos e filhas (Efésios 1,3-14). E não podemos esquecer que o único caminho que nos leva ao Pai e nos faz conhece-lo é Jesus. Lembremos o diálogo com Filipe: “Quem me viu, viu o Pai” (João 14,9). Sabemos que, ao longo dos caminhos do cristianismo, nem sempre a pessoa de Jesus foi apresentada de modo que  pudesse atrair todos a ele. Como nossa cultura foi marcada pela cultura grega, onde pela influência do platonismo que advogava separação entre corpo e alma, privilegiou-se a figura do Cristo glorioso em detrimento do Cristo histórico. Sabemos que para a fé cristã existe um só Jesus. Nele encontramos um homem verdadeiro, nosso irmão, portanto uma condição humana real. Nele, igualmente encontramos Deus, portanto a condição divina real. Para os cristãos Jesus é homem verdadeiro e Deus verdadeiro. Isto manifesta que devemos ter clareza quanto ao nosso crer em Jesus. Sua condição humana é vivida em duas etapas. Uma caracterizada pelo serviço, sua doação até a morte e a outra pela glorificação. Sua entrega começa na encarnação e vai até sua morte na cruz. Sua glorificação começa na ressurreição e perdura para sempre. Muito bem: justamente porque Jesus é da família humana e, ao mesmo tempo, é de Deus, ele é a ponte, o mediador entre nós e Deus. Um dos riscos é separar o Jesus da história do Jesus glorificado. Uma das tentações é salientar o Cristo glorioso e minimizar o Cristo da história. Quando se salienta o Cristo glorificado se separa a expressão da fé, os atos de culto e as orações, da realidade necessária da partilha e do amor-serviço aos outros. Faz-se uma ideologia do espiritualismo desencarnado. Não é difícil justificar o Cristo poderoso e sacralizar os diversos poderes, tentações continuadas em nossas vidas. A insistência no Cristo glorificado, esquecida a dimensão humana, fica fácil esquecer que Jesus não se manteve neutro diante dos conflitos do seu tempo. Ele fez escolhas claras pelos excluídos e enfrentou os opressores. Por outro lado, quando se salienta o Cristo histórico podemos vê-lo como um sábio, um revolucionário. Esquecemos o valor salvador da ressurreição.  Nós devemos fazer o caminho da articulação entre o divino e o humano em Jesus. Jesus está glorificado, nós ainda não! Nós proclamamos o Cristo Senhor, mas nós estamos ainda na etapa da doação, do serviço. Por isso no encontro com Jesus é preciso ressaltar o caminho vivido por ele na etapa terrena. Por enquanto nós só o podemos seguir nesta etapa. Porque desejamos participar da ressurreição de Jesus é que devemos dar valor à sua vida terrena. E devemos ter claro que para ajudar as pessoas a chegar a Jesus e acolhe-lo em suas vidas é preciso mostrar suas atitudes, como foi a sua vida. Para depois indicar a sua glorificação. Um Jesus de quem não recebêssemos exemplos concretos não poderia ser Caminho, Verdade e Vida (João 14,6). É sempre oportuno recordar que a expectativa messiânica apontava para um rei. Os discípulos de Jesus sonhavam em participar do seu reino, partilhar o seu poder. Por isso mesmo diante dos anúncios dos sofrimentos e da morte pelos quais ele passaria não conseguiam compreender e se refugiavam nas discussões de quem seria o maior (Lucas 9,46). A pergunta de Jesus para eles sobre a opinião das pessoas sobre ele e, também, de quem ele era para seus seguidores, não era expressão de curiosidade e sim de ver se tinham compreendido sua missão. A resposta de Pedro foi correta quanto à forma, falha quanto ao conteúdo. Por isso ele recebe a ordem de recomeçar o caminho      (Mateus 16,23). Muitos cristãos temos apego ao Senhor da glória, mas esquecemos o caminho da cruz. Exaltamos o Cristo glorioso  porque vemos nele aquele que pode resolver nossos problemas. O invocamos para que faça vir do céu a cura dos erros que nós cometemos. Não nos lembramos que o caminho da Justiça, do Bem, do Amor e da Paz passa pela cruz do nosso egoísmo, da nossa vaidade, da nossa mesquinhez. Exige conversão. Passa pela Cruz. O Cristo crucificado parece não interessar. Vamos ao Cristo glorioso sem cruz. É mais palatável!

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